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Letra Sem Música


A Rua Onde Eu Moro

 

Quando ela atravessar a rua onde eu moro

E descobrir que o amor é vão

Nada mais...

Acalentará meu coração

Afugentará minha solidão

Apaziguará minha condição

De ser tão triste

De negar tudo que existe

 

Quando ela perceber que a rua onde eu moro

É só um endereço de ilusão

Nunca mais...

Aliviará minha aflição

Atenuará minha comoção

Amenizará minha situação

De sentir-me vazio

De querer sempre algo tardio

 

Quando ela caminhar pela rua onde eu moro

E notar que nada foi tão bom

Eu verei...

Que tudo agora é só luz e som...

 

Paulo Antonio Barreto Junior

© Todos os Direitos Reservados

Pistola

 



Escrito por Paulo Barreto às 08h40
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O Que É E O Que Nunca Deveria Ter Sido

 

Às vezes não sei se meu dever de votar

É um direito... Penso que é um perigo!

Os representantes que elejo

Tornam-se sempre meus inimigos

Vendem meus sonhos por qualquer trocado

Reunem-se em congressos, assembléias...

Ou outro nome que queiram dar: alcatéia!

Os lobos do planalto, aliás, da estepe

Sabem muito bem devorar o que é meu...

O que é nosso! Sejamos revolucionários!

Tudo soa falso aos meus ouvidos

Que já nem sei mais procurar no dicionário

O que é e o que nunca deveria ter sido

 

Paulo Antonio Barreto Junior

© Todos os Direitos Reservados

Idéias Universais

 



Escrito por Paulo Barreto às 13h08
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Beleza

 

Eu já andei a mil pela contramão da vida

Como tantos jovens com idéias urgentes

Que agora discordam das atitudes insurgentes

Eu participei de movimentos contestadores

Que erguiam bandeiras para melhorar o futuro

E agora ficam sentados em cima do muro

Todo mundo faz com discrição

Todo mundo controla a situação

Todo mundo age com destreza

Todo mundo diz que cresce e aparece

Eu não tenho nada a acrescentar

Apenas digo que está tudo beleza

 

Eu fiz parte da geração dos caras-pintadas

Que antes tinha o desejo de mudar a cena

E agora negocia vantagens com o vil sistema

Eu já cansei muito de criticar os três poderes

Como todas as pessoas que tinham algo a falar

E que agora estão mudas na sala de estar

Todo mundo tem a solução

Todo mundo sabe a direção

Todo mundo afirma com certeza

Todo mundo diz que faz e acontece

Eu não tenho nada a acrescentar

Apenas digo que está tudo beleza

 

Paulo Antonio Barreto Junior

© Todos os Direitos Reservados

Letra Sem Música Volume 2

 



Escrito por Paulo Barreto às 13h27
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Letra Sem Música

 

Música instrumental

Instrumento musical

Uma hour ahora

Fá sol lá fora

Trio anglo portunhol

Mi lua aqui bemol

Ípsilon sustenido

Dó si clave gemido

Ré acorde you jota

No bequadro nota

Alfa em consonância

Beta oitava dissonância

Hare Krishna, Om!

Sem tom de semitom

Me gusta a musa lírica

Numa letra sem música

Verbo instrumental

Instrumento verbal

 

Paulo Antonio Barreto Junior

© Todos os Direitos Reservados

Letra Sem Música Volume 1

 



Escrito por Paulo Barreto às 12h52
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Você Tem Medo De Quê?

 

Parece um tiro de violência, mas é só comemoração

Dizem que sua casa é o porto mais seguro

Mesmo assim um projétil pode calar seu coração

Solidão, confinamento, tudo é normal

Talvez você ande pelas ruas

E encontre alguém que não lhe faça mal

Ontem à noite eu consegui dormir tranqüilo

Mas acordei tão assustado

Você tem medo de quê?

 

Sua confiança no próximo está profundamente abalada

Que você é capaz de dizer que odiar alguém

É tão fascinante quanto amar quem lhe quer bem

Barbárie, miséria, retrato da sociedade

Se um dia receber um sorriso

Dê outro em troca como um sinal de caridade

Ontem à noite eu escutei um grito angustiado

E senti a dor de não ser livre

Você tem medo de quê?

 

Um dia você me disse que se pudesse

Caminharia livremente pela cidade

Mas seu temor é o limite exato

Da tênue linha que circunda a maldade

Somos lobos de nós mesmos

Você tem medo de quê?

 

Paulo Antonio Barreto Junior

© Todos os Direitos Reservados

Novas Cores Surreais

 



Escrito por Paulo Barreto às 08h50
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Este poema foi escrito pelo meu amigo Filadelfo Amorim

 

A CRUEZA DA VERDADE

 

Não quero falar de amor

Que máscara você usa?

A cortesia é uma mentira social

Que insistimos em repetir

Sorrimos quando queremos apedrejar

 

A crueza da verdade

Aquilo que não é dito

Não foi e jamais será

 

A verdade se esconde em atitudes biltres

Tal como o esnobe que se encanta com o poder

O mundo é cruel para os menos afortunados

A humanidade está condenada a eterna repetição

Pseudo-intelectuais enriquecem falando do óbvio

Pois somos incapazes de entender a dor

 

A crueza da verdade

Aquilo que não é dito

Não foi e jamais será

 

O homem não consegue amar o próximo

Pois só ama a si próprio

Este é um manifesto pessimista e realista

 

Filadelfo Meireles de Amorim

© Todos os Direitos Reservados

A Crueza Da Verdade

 



Escrito por Paulo Barreto às 08h56
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UERBA ED ORIMISAC

 

Venha aquecer meu corpo

A noite é fria e silenciosa

Ofuscada pelas luzes pálidas

Das lâmpadas de mercúrio

O fórum da cidade está incendiado

Por que eu deveria me importar?

Meu corpo está quente

Com o calor da sua presença

 

Talvez fosse só tristeza

Aquele brilho em seu olhar

Mas tanto faz agora

Tudo é tarde demais

Apenas prometa me guiar

 

Venha procurar as provas

A verdade é bela e misteriosa

Oculta pelas chamas cálidas

De um crime sem vestígio

O quorum dos culpados está incompleto

Que seja assim, deixe para lá

Ninguém é inocente

Mesmo com o álibi da ausência

 

Se ainda fosse nostalgia

Quando vi seu coração acelerar

Mas tanto faz agora

Tudo é tarde demais

Apenas prometa me amar

 

Somos um verso sem endereço

Na cidade do poeta morto

Sem primavera, sem berço,

Sem portas abertas, sem porto

Pode ser que nada disso tenha acontecido

Pode ser que seja apenas um sonho perdido

Mas se depois que fecharmos os olhos

Fingindo abstrata cegueira

Para onde iremos se decidirem

Atear fogo na cidade inteira?

 

Paulo Antonio Barreto Junior

© Todos os Direitos Reservados

Álbum De Férias

 



Escrito por Paulo Barreto às 13h11
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Este poema foi escrito pelo meu amigo Filadelfo Amorim

 

Homens Brancos

 

“Um velho xamã falou de uma profecia

Em que homens trariam desgraça para seu povo”

 

Homens brancos trazendo desgraça

O velho índio avistou

Com seu semblante cansado pensou:

Nada será como antes

Pois os homens brancos chegaram

Trazendo consigo a desgraça

As matas perderam o seu encanto

Restando apenas o pranto

De um povo sofrido e oprimido

Muitas vezes iludido

Vivendo da misericórdia alheia

Outrora bravos guerreiros

Hoje vistos como mendigos e arruaceiros

Sobrando a memória remota de homens

Que não puderam construir a sua história

Homens brancos trazendo desgraça

 

Filadelfo Meireles de Amorim

© Todos os Direitos Reservados                                                       

Homens Brancos

 



Escrito por Paulo Barreto às 08h55
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Este poema foi escrito por Filadelfo Amorim e Paulo Barreto

 

A Sopa

 

Antes não era assim

A noite não tinha fim

Eu vivia em busca de aventura

Hoje a vida está muito dura

Vejo a realidade nua e crua

Estou sem saco de ir para a rua

Prefiro o meu lençol antigo

Estou parecendo um mendigo

Não tomo banho faz tempo

 

Acho que eu morguei

Foi a sopa que eu tomei

 

Antes botava para lá

A noite era o meu lugar

Eu era um notório andarilho

Hoje a noite perdeu o brilho

A rádio não toca a minha música

No espelho minha cara é tísica

O tempo roubou o meu brio

Estou sentindo um calafrio

Não sei quando fiz a barba

 

Acho que eu morguei

Foi a sopa que eu tomei

 

Filadelfo Meireles de Amorim

© Todos os Direitos Reservados                                                       

A Sopa

Escrito em parceria com Paulo Antonio Barreto Junior

 



Escrito por Paulo Barreto às 19h25
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Garagem

 

Toque um som para a vizinhança ouvir

Um som direto, básico, cru

Leve um som para a juventude seguir

Um manifesto, uma canção de protesto

Lance um som para celebrar a vida

Um som alegre, despojado, nu

Faça um som para que todos se encontrem

Um curativo para a dor, uma canção de amor

Abra a garagem da sua casa e saia do porão

Invente uma nova forma de dizer não

Para deixar o mundo melhor, meu irmão

 

Paulo Antonio Barreto Junior

© Todos os Direitos Reservados

Paz, Amor E Outras Coisas

 



Escrito por Paulo Barreto às 13h08
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Liberação Feminina

 

Ela usa vermelho e pintura, meu irmão

E você perdeu o bonde azul da história

Trocou a inteligência pela força bruta

Você agora é uma simples caça indefesa

Um bicho acuado pela caçadora astuta

 

Ela não é mais um objeto, meu irmão

Você agora é o sujeito passivo da história

Ultrapassado nas suas idéias machistas

Você agora se acha o sexo impotente

Um ser perdido em atitudes chauvinistas

 

É tempo de dividir o poder, meu irmão

A idade da pedra não passa de história

Você não é mais um troglodita, animal

Você agora é uma criatura civilizada

Uma figura pós-moderna metrossexual

 

Paulo Antonio Barreto Junior

© Todos os Direitos Reservados

Idéias Universais

 



Escrito por Paulo Barreto às 13h10
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Longo E Solitário Inverno

 

O longo e solitário inverno

Que eu passei longe de você

Parecia não ter fim

Quantas vezes eu fiquei perto de enlouquecer

Quantas tardes eu pensei que ia morrer

Agora que o sol voltou a brilhar

Eu preciso esquecer

Do frio que eu passei sem você

 

A sua ausência foi um deserto

E as noites geladas sem você

Seguiam sem ter fim

Muitas vezes eu chorei pensando em você

Muito tempo eu perdi sem perceber

Que agora o verão voltou a esquentar

E eu preciso lembrar

Que eu consigo viver sem ter você

 

Lá vem o sol de novo...

Lá vem o sol...

 

Mas o longo e solitário inverno

Que eu senti longe de você

Foi horrível para mim

Tantas vezes eu esperei sem sucesso por você

Tantas noites sem dormir mesmo sem querer

Agora que o tempo voltou a melhorar

Eu preciso lembrar

Muito mais de mim e menos de você

 

Paulo Antonio Barreto Junior

© Todos os Direitos Reservados

Máxima Efervescência

 



Escrito por Paulo Barreto às 12h23
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Este poema foi escrito pelo meu amigo Filadelfo Amorim

 

Existencialista Nato

 

Baby, não queira entender

O motivo de eu ser assim,

Você procura respostas

Para questões inexistentes,

“Por que ajo assim?”

A resposta, garota, é a seguinte:

Sou um existencialista nato,

Amo as coisas do passado,

Eu sou egoísta, meu bem,

Não existe explicação,

Não tente decifrar

As coisas do meu coração,

Gosto de Elvis Presley

E de James Dean também,

Curto a velocidade,

Sigo sempre em disparada,

Sem olhar para trás,

Negligencio o meu presente,

Sou um existencialista nato,

Não me chame de inconseqüente,

Às vezes queria ser diferente,

Igual aos outros,

Mas o meu coração é selvagem,

Selvagem como um potro,

Sou um existencialista nato,

Em eterna contradição,

Não tente entender

As batidas do meu coração

“Te amo garota, mas tenho de partir”

A estrada me espera

Rumo a um horizonte sem fim

 

Filadelfo Meireles de Amorim

© Todos os Direitos Reservados                                                       

Existencialista Nato

 



Escrito por Paulo Barreto às 08h02
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Bula Pós-Tropicalista

 

Parte I

Você me diz o que fazer

Eu finjo não entender

Eu prefiro ler um livro

Da Geração Beat

Você insiste em me dizer

O que eu nunca quis saber

Eu quero ouvir um disco

De puro rockabilly

Você diz que vai me amar

Até não querer mais

Mas aquele tempo não volta atrás

Nunca mais

E para ser sincero

Eu espero muito mais

De mim e de você

Então adeus e até outro dia, meu bem

Eu só quero o melhor daqui para frente

Já perdi tempo demais

 

Parte II

Você diz que isto não é um poema

Eu concordo, também não é roteiro de cinema

É só uma forma de dizer o que se pensa

Eu que passei ileso pelos anos oitenta

Eu ouvi Ultraje, Ira, Camisa, Titãs, Lobão

Paralamas, Capital, Engenheiros, Lulu, Legião

E todo mundo que sabia dizer não

Um não dito por Tom Zé com acorde dos Mutantes

Você diz que a vida não valeu a pena

Eu discordo, a vida é muito melhor do que qualquer cena

Apesar do que dizem sobre o que a gente pensa

Eu só quero o melhor daqui para frente

Já perdi tempo demais

 

Parte III

Você me espera ao entardecer

Junto aos girassóis

Eu quero é desatar meus nós, meu bem

Você me mostra o monumento

Entre beijos e promessas

Vamos que eu tenho pressa, meu bem

Você me conta o fim da novela

E ainda quer que eu veja

A juventude num comercial de cerveja, meu bem

Você me fere com o seu sangue

E me cura com o seu mel

Eu quero é que tudo mais vá para o céu, meu bem

Viva tudo!

Viva sempre!

Viva qualquer coisa!

Eu só quero o melhor daqui para frente

Já perdi tempo demais

 

Paulo Antonio Barreto Junior

© Todos os Direitos Reservados

Hotel Dos Encontros Impossíveis

 



Escrito por Paulo Barreto às 13h02
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Este poema foi escrito por Filadelfo Amorim e Paulo Barreto

 

Juventude Perdida

 

Tem dias que acordo com o peito apertado,

Um semblante cansado, um tanto angustiado,

Com suas lembranças, sem sua presença,