Setembro Chove? É só mais uma florida primavera Para você que germina delírios de quimera Que em mil noites foi uma bela namorada Em uma curva perigosa daquela estrada Mas seus marujos de primeira viagem Abandonaram o navio em sua garagem E seus súditos mortificados pelo vício Saúdam um rei Elvis morto no hospício E nessa mudança brusca de estação Você irradia um brilho triste no olhar Pois seus vassalos sangram seu coração Com facas afiadas como lâminas de barbear E você perdeu seus sonhos na madrugada Que agora mal consegue ficar acordada Isso não passa de um circo de horrores E você não sabe mais distinguir as cores Mas todo mundo quer virar um mito E você quer ser uma pantera de Raulzito Para ganhar o mundo que o dinheiro move Mas será que setembro chove? É para saber se a vida vale a pena Ou será que você vai dar sua cara a tapa? Mas você agora quer desaparecer de cena Porque Belchior resolveu sumir do mapa E seus eunucos de semblantes soturnos Soltaram seus gatos nos telhados noturnos E seus escravos que saciavam o seu cio Agora riem com Bud Spencer e Terence Hill E nessa ausência intensa de vitalidade Você implora por um pouco de caridade Pois seus servos aprisionam em seu mistério Sua alma penada dentro de um velho cemitério E você enterrou sua esperança na luz do dia Que agora não vive mais sua Beatlemania Isso não passa de um filme de terror E a FM não toca mais sua canção de amor Mas seus pesadelos tiram o seu sono E você quer ser Linda McCartney ou Yoko Ono Para ganhar o mundo que o dinheiro move Mas será que setembro chove? Paulo Antonio Barreto Junior © Todos os Direitos Reservados OJNM

Escrito por Paulo Barreto às 11h53
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